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  • Os 10 agentes de deterioração: como identificar os riscos de uma coleção

    Em resumo: os 10 agentes de deterioração caracterizados pelo Canadian Conservation Institute (CCI) são as forças físicas, os ladrões e vândalos, o fogo, a água, as pragas, os poluentes, a luz (visível, ultravioleta e infravermelha), a temperatura incorreta, a humidade relativa incorreta e a dissociação. Cada agente pode atuar como risco raro, esporádico ou contínuo. Identificar os riscos de uma coleção é cruzar estes agentes com os dados da coleção, do edifício e da organização. Depois, classificam-se por tipo, impacto e reversibilidade. A avaliação de risco informa o plano de conservação preventiva, mas não o substitui.

    O que são os 10 agentes de deterioração?

    São uma forma de organizar as ameaças que afetam os bens culturais. A lista foi caracterizada pelo CCI e usada por Robert Waller no seu modelo de avaliação de riscos, publicado em 1994. Nesse modelo, cada agente é combinado com um tipo de risco e ilustrado com exemplos.

    Alguns nomes evoluíram desde então. No quadro original de Waller surgem “criminosos”, “contaminantes”, “luz e radiação UV” e “negligência custodial”. Na formulação atual do CCI, os mesmos agentes chamam-se ladrões e vândalos, poluentes, luz, ultravioleta e infravermelho, e dissociação.

    Que tipos de risco existem?

    No modelo de Waller, cada agente pode manifestar-se de três formas:

    • Raro: eventos pouco frequentes e de efeito catastrófico, como um sismo, uma cheia ou um grande roubo.
    • Esporádico: ocorrências pontuais, como uma infiltração na cobertura ou uma peça que cai durante a montagem.
    • Contínuo: processos lentos e permanentes, como a humidade ascensional ou a deformação por um suporte inadequado.

    Esta distinção tem consequências práticas. Ajuda a definir a cadência das tarefas do plano: recorrentes, sazonais ou esporádicas. Os riscos contínuos pedem vigilância regular, enquanto os riscos raros exigem procedimentos preparados para situações excecionais, como uma emergência.

    Que exemplos correspondem a cada agente?

    Os exemplos seguintes vêm do quadro de Waller (1994), reproduzido na investigação que deu origem ao método LIDAR:

    • Forças físicas: sismo ou colapso estrutural (raro); quedas e danos durante a manipulação ou colocação (esporádico); deformação por mau suporte ou vibração constante (contínuo).
    • Ladrões e vândalos: grande roubo (raro); casos isolados de furto ou vandalismo (esporádico); desvios por pessoal ou utilizadores frequentes da coleção (contínuo).
    • Fogo: incêndio.
    • Água: cheia (raro); infiltrações pela cobertura ou canalizações (esporádico); humidade ascensional (contínuo).
    • Pragas: infestação.
    • Poluentes: contaminação por um acidente industrial ou de transporte nas proximidades (raro); uso de um produto de limpeza corrosivo ou poeira de obras (esporádico); gases e vapores libertados pelo mobiliário de reserva (contínuo).
    • Luz e radiação UV: desvanecimento de cores e danos estruturais.
    • Temperatura incorreta: descongelamento de uma coleção de tecidos congelados (raro); choque térmico em peças sensíveis (esporádico); temperatura acima do ideal (contínuo).
    • Humidade relativa incorreta: humidade suficientemente alta para desencadear fungos, ou alterações rápidas que danificam espécimes conservados em fluidos (esporádico); fissuração de conchas ou dentes e transformações em minerais (contínuo).
    • Dissociação: abandono da coleção (raro); perda de peças ou dos dados associados (esporádico); falhas continuadas na garantia de propriedade e de acesso (contínuo).

    Como identificar os riscos de uma coleção, passo a passo?

    Levantamento: que informação recolher?

    A identificação de riscos começa com dados de várias fontes. Inclui a tutela e o seu impacto na gestão diária, os materiais em contacto com cada objeto em reserva ou exposição, as variáveis termohigrométricas, os poluentes, as políticas de iluminação, os sistemas de canalização e esgotos e a sua localização, entre outros. O levantamento deve ser planeado, com objetivos, metodologias, recursos e cronograma, e interdisciplinar. Organizações como o ICCROM, o Getty Conservation Institute (GCI), o CCI e a Rede Portuguesa de Museus disponibilizam modelos de levantamento diagnóstico que podem ser usados nesta fase.

    Interpretação: como classificar os riscos?

    O método LIDAR propõe uma classificação hierárquica multidimensional, evoluída do modelo de Waller. Cada risco é avaliado em quatro dimensões:

    • tipo de risco: raro, esporádico ou contínuo;
    • agente de deterioração: segundo o CCI ou outra classificação mais adequada;
    • impacto potencial: baixo, médio ou alto;
    • reversibilidade do dano: de totalmente reversível a irreversível.

    Em coleções mistas, esta matriz cruza-se com outra de características e necessidades dos materiais, das condições ambientais e das necessidades de conservação. Este modelo híbrido permite agrupar os bens com necessidades semelhantes e identificar correlações pouco óbvias entre parâmetros ambientais. Revela também falhas do edifício na estanquidade ambiental.

    Definição: como passam os riscos para o plano?

    Os riscos classificados orientam as cinco componentes do plano: controlo ambiental e monitorização integrada; manuseamento, acondicionamento, exposição e transporte; manutenção regular; ação em emergência e catástrofe; formação. Por exemplo, a temperatura e a humidade relativa incorretas, a luz e os poluentes são tratados sobretudo no controlo ambiental. As forças físicas, no manuseamento e transporte. O fogo, as cheias e os grandes roubos, na componente de emergência (veja como preparar a ação em emergência e catástrofe).

    Aplicação: que cuidados específicos destacar?

    Alguns agentes merecem atenção particular:

    • Poluentes: provavelmente o mais crítico dos fatores de deterioração e o mais negligenciado, porque o seu efeito nem sempre é imediato e a sua quantificação nem sempre é fácil. A estratégia deve definir materiais permitidos, proibidos e em observação, como sugere Tétreault (1994).
    • Pragas: a higienização ajuda, mas não chega. Também contam a manutenção do edifício, sistemas de evacuação que reduzam o contacto com o exterior e uma monitorização constante dos sinais de presença.
    • Ação humana: a formação e a sensibilização reduzem os atos negligentes ou casuais. A vigilância e a segurança reduzem os premeditados, como roubo ou vandalismo.
    • Elementos naturais: o foco está nas condições estruturais do espaço e num canal permanente com as autoridades competentes.

    Para a temperatura e a humidade relativa, veja que parâmetros definir para uma reserva. Para a monitorização, veja como transformar registos de data loggers em decisões.

    Revisão: quando reavaliar os riscos?

    Nos marcos definidos no plano e sempre que um acontecimento obrigue a repensar a estratégia, como a deslocação de peças ou uma infiltração pontual de chuva. A Revisão procura também vulnerabilidades e ameaças que não tenham sido consideradas inicialmente. Uma obra é um caso típico em que vários agentes se juntam: veja como proteger uma coleção durante obras.

    A avaliação de risco é um plano de conservação preventiva?

    Não. O modelo de Waller fornece critérios para uma decisão mais consciente e fundamentada. Ajuda a perceber que problemas podem afetar uma coleção, mas não indica as tarefas para os resolver. No método LIDAR, a gestão de risco é uma matriz que liga a informação à decisão, não a estrutura do plano. Este guia explica como estruturar o plano completo.

    Que erros são frequentes?

    • Reduzir os riscos à temperatura e à humidade relativa.
    • Esquecer os poluentes, por serem menos visíveis.
    • Ignorar a dissociação, a perda de peças ou de informação.
    • Tratar todos os riscos da mesma forma, sem distinguir tipo, impacto e reversibilidade.
    • Ficar pela avaliação de risco, sem tarefas, prazos e responsáveis.

    Perguntas frequentes

    Quais são os 10 agentes de deterioração?

    Forças físicas, ladrões e vândalos, fogo, água, pragas, poluentes, luz (visível, ultravioleta e infravermelha), temperatura incorreta, humidade relativa incorreta e dissociação, segundo o Canadian Conservation Institute.

    O que é a dissociação?

    É a perda de peças, dos dados associados ou da ligação entre ambos. No quadro original de Waller surge como negligência custodial. É um fator crítico, mas mitigável com práticas adequadas de conservação preventiva.

    Qual é o agente mais perigoso?

    Depende da coleção e do contexto, e por isso se classificam os riscos por tipo, impacto e reversibilidade. Ainda assim, os poluentes são apontados como provavelmente o fator mais crítico e o mais negligenciado.

    Uma avaliação de risco chega?

    Não. Identifica e classifica os riscos, mas é o plano que os converte em tarefas, prazos, responsáveis e indicadores.

    Com que frequência se reavaliam os riscos?

    Nos marcos definidos no plano e sempre que um acontecimento altere as condições da coleção, como obras, mudanças de local, incidentes ou alarmes.

    Por onde começar?

    Começa-se por um levantamento da coleção, do edifício e da organização que permita classificar os riscos com critério. O método LIDAR, desenvolvido no âmbito de um projeto de investigação do CIEBA (Universidade de Lisboa), integra a avaliação de risco num plano executável. Para um diagnóstico e avaliação de risco de uma coleção, contacte a Antever através de antever@antever.pt.